Entre os pontos discutidos na sede da Unesco, destacam-se a formação de professores e o reconhecimento internacional de diplomas. Missão reúne 30 lideranças brasileiras e segue até 18 de outubro.
A formação de professores para o uso pedagógico e ético da inteligência artificial e o reconhecimento internacional de diplomas estiveram no centro dos debates ocorridos nesta terça-feira (13) entre representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e lideranças da educação superior privada brasileira. Realizado na sede da organização, em Paris, o encontro integra a 8ª Delegação ABMES Internacional – France Experience, que reúne 40 mantenedores, reitores e gestores educacionais em uma missão voltada a ampliar parcerias, mobilidade acadêmica e cooperação científica.
Durante a agenda, os representantes da Unesco apresentaram iniciativas para conectar instituições de formação docente e discutiram obstáculos à circulação de estudantes e acadêmicos entre países. Os debates também abordaram a escassez e a dificuldade de retenção de professores e o uso de celulares em sala de aula.
O chefe da Seção de Educação Superior, Noah W. Sobe, apresentou o Roteiro da Unesco para a Transformação do Ensino Superior. O plano traz diretrizes focadas na equidade e financiamento sustentável, na garantia da liberdade acadêmica e do pensamento crítico, no uso ético da inteligência artificial centrado no humano e na migração para métodos pedagógicos ativos.
IA com protagonismo docente
Carlos Vargas, chefe do Secretariado da Força-Tarefa Internacional sobre Professores para a Educação 2030, e Matthew Thomas, especialista de programa, discorreram sobre a criação de uma rede global de instituições de formação de professores, com lançamento previsto para 2027. A proposta inclui um curso de Pedagogia com IA, desenvolvido de forma colaborativa, com implementação prevista em 10 países e 30 instituições.
O foco vai além da alfabetização digital: busca preparar os docentes para decidir quando, como e quando não utilizar a inteligência artificial. A orientação é que a tecnologia amplie a capacidade de julgamento do professor, preservando seu protagonismo e reconhecendo como insubstituíveis a relação interpessoal e o desenvolvimento de competências socioemocionais.
Diplomas além das fronteiras
O reconhecimento internacional de diplomas foi outro eixo do encontro. Os representantes da Unesco ressaltaram que as convenções da agência buscam facilitar a mobilidade de estudantes e acadêmicos por meio de processos transparentes e justos, baseados na confiança mútua entre os países.
Segundo as informações apresentadas, embora participe da rede operacional CINDA (Centro Interuniversitário de Desenvolvimento), o Brasil ainda não ratificou a Convenção de Buenos Aires, voltada à América Latina e ao Caribe, nem a Convenção Global, o primeiro tratado mundial sobre o tema.
O avanço nessa agenda pode contribuir para ampliar as possibilidades de continuidade dos estudos e de cooperação acadêmica internacional. Um ponto relevante é que os instrumentos preservam as regras nacionais específicas para o exercício de profissões regulamentadas, como Medicina e Direito.
Cooperação em construção
A visita à Unesco dá continuidade à programação técnica iniciada na segunda-feira (12), com encontros na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e na Embaixada do Brasil em Paris.
Na OCDE, a comitiva foi recebida por Simon Roy, chefe de Políticas de Ensino Superior, para discutir indicadores educacionais e os desafios de acesso à graduação. Entre os dados apresentados, o relatório Education at a Glance aponta que 25% dos brasileiros de 25 a 34 anos possuem diploma de ensino superior, diante de uma média de 49% nos países membros da organização. O debate também abordou investimentos em educação, parcerias estratégicas e inovação.
Na Embaixada do Brasil, a delegação foi recebida pelo ministro-conselheiro Ricardo Barros e por Pedro Zacarias, responsável pelos setores de Cooperação Educacional e de Ciência, Tecnologia e Inovação. A agenda reuniu representantes da Conférence des Grandes Écoles, da Federação Nacional do Ensino Privado e da Campus France Brasil, ampliando a interlocução com o sistema educacional francês.
Aprendizados que chegam ao Brasil
A missão segue até 18 de outubro, com visitas previstas à Universcience, na Cidade das Ciências e da Indústria; ao Le Cordon Bleu; à SKEMA Business School; e ao Instituto Pasteur. O roteiro aproxima os participantes de experiências em formação, pesquisa, divulgação científica e inovação.
A expectativa é que os contatos estabelecidos favoreçam o intercâmbio de estudantes e professores, o compartilhamento de práticas docentes e o desenvolvimento de pesquisas conjuntas, com benefícios para as instituições brasileiras e francesas.
“Quando voltarmos ao Brasil, nossos estudantes não terão acompanhado a nossa jornada, mas certamente se beneficiarão do que colhermos aqui”, destacou o diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz, durante o almoço de abertura da missão, realizado no Palácio de Versalhes.
Sobre a delegação
Promovida pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), a 8ª Delegação ABMES Internacional - France Experience busca transformar o diálogo com instituições francesas e organismos internacionais em oportunidades de cooperação acadêmica, científica e institucional. A iniciativa combina o aprendizado com outras realidades à apresentação de conhecimentos e soluções desenvolvidos pela educação superior brasileira.
Serviço:
8ª Delegação ABMES Internacional - France Experience
Quando: 9 a 18 de outubro de 2026
Instituições visitadas: OCDE, Unesco, Embaixada do Brasil, Universcience, Le Cordon Bleu, SKEMA Business School, e Instituto Pasteur.
Mais informações: https://abmes.org.br/internacional/delegacoes/franca