A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) deveria representar um momento de reflexão qualificada sobre a formação dos futuros médicos e sobre os caminhos para o aprimoramento contínuo da educação superior no país. No entanto, o que se viu nas semanas seguintes à publicação dos dados foi a construção apressada de narrativas simplificadoras, marcadas por julgamentos precipitados, estigmatização e até práticas de bullying contra estudantes que, segundo os critérios adotados, não alcançaram o patamar mínimo de proficiência.
O discurso que passou a circular transformou a linha dos 60 pontos em uma espécie de divisor absoluto entre “bons” e “maus” estudantes. Aqueles que ficaram abaixo desse limite foram rapidamente rotulados como despreparados, incapazes ou inadequados para o exercício da profissão, sem qualquer análise contextualizada, técnica ou pedagógica, em uma leitura reducionista e discriminatória.
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