Por que a nova obrigação sobre saúde mental no trabalho é, na verdade, uma oportunidade, e o que acontece com quem a ignorar.
Por Graziele Cabral
Juíza do Trabalho com 20 anos de magistratura | Coautora da obra Assédio e Violência no Trabalho
Quando os números não mentem, a pergunta deixa de ser 'se' o ambiente de trabalho adoece — e passa a ser: por que ainda demoramos para agir?
Há anos acompanho isso de dentro. Na magistratura trabalhista, os processos envolvendo saúde mental cresceram em silêncio — primeiro como casos isolados, depois como uma corrente que não para. Não é percepção. São dados. São histórias reais que entram no tribunal como números em uma petição e saem, muitas vezes, como vidas que nunca mais voltaram ao que eram.
A entrada em vigor das alterações da NR-01 — que inclui formalmente os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais — não surgiu do acaso. É a resposta normativa de um país que, finalmente, começou a escutar o que o corpo das pessoas vem sinalizando há pelo menos cinco anos.
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